29 de ago de 2010

A Classe e forma de tempos passados

por Hebert Wagner Polizio,


Hoje e quase sempre quando nos deparamos com um lançamento temos a nítida impressão que esta bike passou por algum processo de anabolização para ganhar formas cada vez mais “parrudas”, isto ocorre pela eterna busca de eficiência na transferência da força aplicada aos pedais em velocidade.


Quase sempre esta eficiência é traduzida em formas cada vez mais “oversizes”, formas que acabam enchendo nossos olhos com bicicletas que se comparadas as bikes de antigamente seriam como delgados corredores de maratonas ao lado de super-dimensionados halterofilistas.


Eu não consigo entender a grande maioria desses projetistas, nunca tivemos nenhuma tentativa de buscar esta mesma eficiência com formas mais delgadas e finas como no passado.


Logo no começo da era do ouro negro ( carbono ) no mercado de bikes tivemos poucas bikes que ainda produzidas em fibra de carbono se assemelhavam em muito com as formas antigas da maioria das marcas.


Como exemplo dessa era pré oversize temos, a francesa Look com sua linha KG, a italiana Colnago com o modelo C-40, entre outras. Mas ambas as marcas citadas logo começaram a engrossar seus tubos e produzir na mesma linha que a grande maioria do mercado caminhava.



Meu desejo saudosista me faz sentir falta de linhas e formas delgadas que pudessem agregar toda a eficiência do carbono atual e seu baixo peso, aliado a extrema rigidez dada pela ausência de flexibilidade.


Quando sonho com isto acabo me perguntando se seria possível aliarmos a rigidez absoluta a um tubo de dimensões finas? Acredito que sim, pois a cada ano que passa sou surpreendido com solados de fibra de carbono cada vez mais finos e rígidos no segmento de sapatilhas. O ultimo grande salto foi dado pela Scott em suas atuais sapatilhas de triathlon e ciclismo com uma das solas mais finas e rígidas que já encontrei.


Acho que o que leva a maioria das marcas em não buscar essas formas mais clássicas e discretas em nos seus novos projetos é o desejo cada vez mais presente em todos de algo grande e ostentoso. A fina, clássica e discreta elegância começam a fazer parte do passado.


Esta elegância discreta de outros tempos faz parte da história de nomes como Fausto Coppi, Jaques Anquetil e Gino Bartali que usavam óculos ao estilo Rayban Aviador para escalar montanhas e ao finalizar retiravam dos bolsos de suas camisas de lã um pente para colocar no lugar seus cabelos lambuzados de brilhantina. Eram outros tempos...


Um tempo que além dos óbvios duelos travados entre atletas nas estradas, também permitia declarações de respeito, classe e deferência entre eles como esta feita por Gino Bartali para seu eterno amigo/rival Fausto Coppi:


“ Fausto foi realmente o melhor corredor de todos os tempos. Isso não pode haver nenhuma duvida. Tenho orgulho de ter sido um de seus rivais mais leais. Na minha longa carreira, tive muitos adversários, mas nenhum ao nível de Coppi, nenhum teve sua classe. Ele foi alem de todos, ele era superior a todos eles. Ele foi superior até mesmo de mim. Ele foi alem de mim...” (texto retirado de uma tradução livre do blog http://www.magliarosa.com.br/).



Algo impossível de imaginar hoje vindo de atletas como Alberto Contador, Lance Armstrong ou Alexandre Vinokourov, que já deram seus exemplos de rebeldia.


A mudança não foi só estrutural em tubos e formas, mas também na maneira como alguns desses competidores trocam farpas e disputam atenção nos meios de comunicação de hoje em dia.


A evolução se faz presente, mas nem sempre de uma maneira darwiniana e positiva. Será que evoluímos?



Hebert Wagner Polizio é responsável comercial do Grupo http://www.fastrunner.com.br, colunista da Revista VO2, colecionador e alucinado por bicicletas clássicas.

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