25 de abr de 2011


É meio difícil de imaginar que correr na rua, uma das formas mais bacanas de cuidar da saúde do corpo e da cabeça, tem o seu lado negro. Exercitar-se no meio de uma centena de carros e ônibus não faz nada bem, dizem os especialistas. Principalmente se o seu esporte é a maratona. Maratonistas chegam a consumir 20 vezes mais em uma respirada que um sedentário. "Eles chegam a inalar até 50 vezes por minuto", conta John Brewer, da Universidade de Bedforshire, Reino Unido. E o problema é que, nesses esportes de longa duração prevalece a inspiração pela boca, que, ao contrário do nariz, não é equipada com pelos para filtrar as impurezas do ar, fazendo com que o corpo tenha mais contato com esses poluentes.
Por serem extremamente pequenos e leves, os particulados finos e ultrafinos que são expelidos pelos carros e caminhões conseguem ultrapassar essa primeira linha de defesa do corpo (os pelos) e se depositar nos pulmões, causando uma resposta inflamatória que compromete a função pulmonar, a capacidade respiratória e reduz a capacidade de as artérias se expandirem. Resultado: menos oxigênio chega aos músculos, o que significa queda na performance. Estudos revelaram que a exposição a esse tipo de toxina, mesmo que por um breve período de tempo, coisa de três meses, reduz a função pulmonar na mesma taxa vista em pessoas que fumam. E quanto mais exposta a eles a pessoa fica, maiores os efeitos colaterais.

Ozônio, o terrível

Correr ao ar livre nos dias em que os níveis de ozônio estão altos é ainda mais perigoso. "O ozônio é terrível. É formado por meio de uma série de reações químicas complexas que usam como fonte de energia a luz ultravioleta do sol. E ele pode ser carregado pelo ven­to para outras áreas mais distantes. O gás cau­sa uma série de problemas, como irritação na garganta e no nariz, tosse e inabilida­de para respirar profundamente, devido a dores no peito, além de náusea e dores de cabeça", explica Alison Carlisle, da Escola de Es­porte e Exercício da Universidade de Surrey, no Reino Unido. Dentre todos os poluentes, o ozônio é o que mais preocupa os espe­cia­lis­tas, especial­men­te os que estudam a qualidade do ar de São Pau­lo. Em 2008, ele foi, sozinho, o res­pon­sá­vel pe­la má qualidade do ar paulistano. Em 2010, os níveis desse gás ultrapassaram 271 vezes o considerado acei­tável pelas organizações de saúde. Quando em concentrações entre 200 e 400 microgramas por m­3, maiores que as 160 permitidas por lei, leva à redução da resistência e a infecções respiratórias. E o grande culpado é o aumento crescente da frota de carros na cidade. "Evite correr quando as concentrações des­se gás estão altas, o que acontece quando o tem­po está quente e seco. Como a radiação do sol produz o ozônio, não corra quando ele es­tá mais forte. Ao contrário, treine bem cedi­nho ou à noite", recomenda a pesquisadora.

O coração e o rendimento também sofrem

A poluição também causa um impacto tremendo sobre o coração. Pesquisadores da Universidade de Michigan, EUA, descobriram que os poluentes que se respira – os particulados são os principais responsáveis – provocam aumento da pressão e alterações nas paredes dos vasos sanguíneos que podem levar dias para voltar ao normal. Outro estudo revelou que pessoas com problemas cardíacos têm três vezes mais chance de ter isquemia (queda do suprimento de oxigênio no músculo cardíaco) quando estão se exercitando em um ambiente poluído. Não é só: o rendimento também cai. A engenheira ambiental Linsey Marr, da Virginia Tech, EUA, constatou que as maratonistas são mais afetadas pela poluição que os homens. Ela avaliou os tempos de prova de sete maratonas durante um período de tempo entre oito e 28 anos. Os tempos de prova delas foram bem menores quando os níveis de toxinas estavam mais altos. A pesquisadora afirma que essa diferença de tempo provavelmente se deve ao fato de que a traqueia das mulheres é menor, tornando mais fácil para certas partículas ficarem depositadas e causar irritação. "Já se mostrou que maratonistas inalam e exalam mais ou menos a mesma quantidade de ar que um sedentário respira em dois dias", diz Linsey.

Fuja da fumaceira

Não tem jeito. Corredores que vivem em grandes cidades têm de aprender a lidar com a fumaceira, já que livrar-se totalmente dela é praticamente impossível. Conheça algumas dicas que vão ajudá-lo a minimizar os efeitos maléficos da poluição.

- Evite os horários de pico
Não corra nos horários de pico, quando o seu corpo ficará mais exposto aos poluentes. Isso talvez signifique ter de acordar mais cedo ou deixar a corrida do fim do dia para um pouquinho mais tarde.

- Procure locais alternativos para correr
Se você treina perto de uma grande avenida, talvez seja a hora de procurar um outro lugar para correr. Que tal um parque? Além de muito mais gostoso e visualmente bonito, o seu corpo vai agradecer. Outra opção é correr em bairros mais residenciais, onde os trânsito é um pouco mais sossegado.

- Máscara ajuda:pode parecer esquisito, mas a máscara pode ser bastante útil. Lembre-se de que inalar as toxinas presentes no ar pode fazer tão mal ao seu corpo quanto fumar.

- Não treine no começo da manhã: o inverno costuma ter condições ideais para a formação da chamada inversão térmica: noites com temperaturas mais baixas e baixa umidade de ar. Quando isso acontece, a camada de ar mais próxima do chão torna-se ainda mais fria. Como as camadas mais elevadas também são mais geladas, forma-se uma espécie de sanduíche de duas camadas frias e uma mais quente no meio. Com isso, os poluentes não conseguem se dissipar. Evite correr nas primeira horas da manhã, quando o fenômeno pode ser observado.

Fonte:

Site Sport Life

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