27 de out de 2010

Esperando por ela

Aqui na loja trabalhamos para satisfazer os mais variados desejos e sonhos, e alguns dias atrás fui encumbido por um cliente de participar de um exclusivo projeto, o de montar uma bike super moderna e atual em carbono, mas que tivesse uma estética retro, que fosse customizada no grafismo para não ficar “datada” por ser de uma determinada série ou ano e depois passar aquela impressão de estar desatualizada tão logo fosse divulgado as novas cores da linha 2011; aceitei na hora, explicando que também tinha desejos muito semelhantes.

Em um animado almoço discutimos as diretrizes desse projeto que já me animava muito e que eu não via a hora de “startar”. Essa nova bike deveria ser italiana no mais profundo sentido, isto é, ser desenhada e construída na Itália, e esta casa italiana teria que oferecer a possibilidade de termos uma geometria customizada, ou seja um quadro sob-medida, teríamos que ter as opção da escolha de cores, para fugir do lugar comum dos grafismos padrões que as marcas lançam em seus catálogos, cumprindo assim o desejo de não “datadar” a bike.

Com essas diretrizes informei que hoje apenas 3 marcas que tenho acesso poderiam se enquadrar nestes quesitos: Colnago, De Rosa e Casati.... começava assim a nascer nosso exclusivo projeto.

Discutimos o restante da bike e quais seriam seus objetivos, ele é um cliente com perfil focado para densas escaladas, anualmente viajava para particip
ar de algum desafio com essas características na Italia ou na França, com esses objetivos definidos começamos a colocar no papel as demais especificações das peças.

Um escalador necessitava que o grupo (obviamente um Campagnolo) viesse configurado com cassete 12x29 e pela sua proposta de desbravar paredes solicitamos 175mm de comprimento dos braços, usando neste caso da teoria das Alavancas Simples, onde: “Quanto maior a alavanca, maior é a força aplicada no ponto de resistência” segundo o siciliano Arquimedes (até neste ponto a Itália mostrava sinergia com nosso projeto).


O cockpit necessitava ser além de leve, bastante adequado as exigências ergonômicas do usuário, com uma flexibilidade abaixo da media, ele necessitava de uma diferença da distância do apoio do guidão na posição de escalada para a distância na posição de ataque com a mãos nos manetes o mais curta possível, não exigindo um alongamento maior na transição de uma para outra, escolhemos então a marca Deda e o guidão modelo Presa Carbon (o mais ergonômico para situações como essa que vi até hoje).

Um caso aparte foram as rodas, como necessitávamos de algo muito especial, nada melhor que pedir rodas feitas especialmente para este projeto.

As rodas deveriam ser duráveis, leves e muito rígidas para facilitar as subidas, dito isso encomendamos aros Ritchey de carbono para pneus tubulares, com reforço extra para situações extremas assim como os usados em provas de ciclocross, os raios e cubos seriam DT Swiss, considerados indestrutíveis e proporcionando zero de flexão lateral, os pneus de excelente durabilidade e resistência a furos, seriam os tradicionais alemães GP4000 da Continental.

Além de mim e meu cliente, tenho certeza que agora você também deve estar ansioso por ver o resultado desse projeto único e ter uma agradável surpresa com o grafismo escolhido, mas somente em agosto ele deverá estar concluído... paciência é uma das virtudes essenciais em qualquer processo de customização.

Até esta bike estar nas páginas de um Impressões ao Pedalar, eu, você e ele teremos que aprender e curtir o “esperar por ela”.


Hebert Wagner Polizio é responsável comercial do Grupo Fast Runner, colunista da Revista VO2, colecionador e alucinado por bicicletas clássicas.


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